quinta-feira, novembro 10, 2011

Diretor de turma – Perfil: procura-se

Diretor de turma – Perfil: procura-se

Armanda Zenhas

Pela sua importância, é um cargo a merecer reflexão em torno da definição de um perfil e uma formação específica e adequada dos professores que o exercem, devendo corresponder a uma promoção na carreira.

Perfil: articulador, negociador, que trabalhe bem em grupo e que goste de gente.

Num artigo mais recente, referi-me à importância do papel do Diretor de Turma (DT) no apoio aos alunos e aos pais nos anos de transição de ciclo (5.º, 7.º e 9.º), que um estudo recente revela serem aqueles em que se regista maior insucesso. A sua importância, contudo, não se limita a esses anos de escolaridade, fazendo-se sentir durante todo o percurso escolar dos alunos.

Que funções tem o DT? No Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de maio (relativo ao regime de autonomia, administração e gestão das escolas), atribui-se-lhe a função de coordenar o desenvolvimento do então chamado plano de trabalho da turma, posteriormente substituído pelo projeto curricular de turma. Este plano era definido como devendo “integrar estratégias de diferenciação pedagógica e de adequação curricular para o contexto da sala de atividades ou da turma, destinadas a promover a melhoria das condições de aprendizagem e a articulação escola – família” (art.º 36.º, § 1).

Tendo como objeto as estruturas de coordenação referidas no Decreto-Lei n.º 115-A/99, surgiu o Decreto Regulamentar n.º 10/99, de 21 de julho, no qual estão definidas as funções do DT. Nele se apontam, entre outras competências, “a articulação entre todos os professores da turma e com os alunos, pais e encarregados de educação”; a promoção de “comunicação e formas de trabalho cooperativo entre professores e alunos”; a já referida “coordenação, em colaboração com os docentes da turma, da adequação de atividades, conteúdos, estratégias e métodos de trabalho à situação concreta do grupo e à especificidade de cada aluno”; a articulação das “atividades da turma com os pais e encarregados de educação promovendo a sua participação”; e a coordenação do “processo de avaliação dos alunos” (art.º 7º, § 2).

Trata-se, sem dúvida, de funções muito abrangentes e de grande responsabilidade, que apontam para as tarefas de coordenação e de gestão, implicando o estabelecimento de relações interpessoais de diferentes tipos e com diferentes interlocutores. Para adequar o trabalho “à situação concreta do grupo e à especificidade de cada aluno”, chamando a ele todos os intervenientes no processo educativo – alunos, professores e encarregados de educação –, o DT tem de acompanhar individualmente cada aluno, mas tem de trabalhar com todos os alunos inseridos no grupo – turma; o DT tem de contactar e colaborar com cada EE no acompanhamento do seu educando, por exemplo em atendimentos individuais, mas tem de trabalhar com o coletivo dos encarregados de educação, por exemplo em reuniões gerais; o DT tem de ir contactando e articulando estratégias individualmente com cada um dos professores da turma, mas tem de o fazer igualmente com o coletivo de professores; finalmente, o DT é ainda chamado a articular, coordenar, conciliar, estabelecer comunicação entre alunos – professores, encarregados de educação – professores, alunos – alunos, professores – professores e até alunos – encarregados de educação.

Que perfil define a legislação para um cargo de tão grande responsabilidade? Estranhamente, nada mais do que o disposto no Decreto-Lei 115-A/98, que apenas diz que o DT deve ser designado, pela direção executiva, “de entre os professores da turma, sempre que possível, profissionalizado” (art.º 36.º, § 2.º).

Que competências deve ter o DT? A legislação não o refere. Que formação especifica é dada ao DT? Nenhuma. Diversas razões estão por detrás da escolha dos professores que serão diretores de turma e, infelizmente, nem sempre o seu perfil é a prioritária. Entre outras conta-se o jeito que dá, ao fazer o horário, acrescentar ali aquelas horas de redução.

Ser diretor de turma é um cargo muito importante no acompanhamento do percurso escolar dos alunos e da turma e no estabelecimento de colaboração entre a escola e a família. É um cargo que exige competências de gestão, de coordenação, de comunicação, de relacionamento interpessoal, entre outras.

Pela sua importância, é um cargo a merecer reflexão em torno da definição de um perfil e uma formação específica e adequada dos professores que o exercem, devendo corresponder a uma promoção na carreira. A este assunto voltaremos em artigos futuros.


Fonte:
http://www.educare.pt/educare




Armanda Zenhas – Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 na Escola Básica de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. E mãe de dois filhos.


quarta-feira, novembro 09, 2011

XXI ENCONTRO ESTADUAL DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO Educação Emocional: A complementaridade entre a Razão e a Afetividade. 30º Aniversário da ANPAE - Seção Ceará 1981 a 2011

Introdução

A Associação Nacional de Política e Administração da Educação – ANPAE, Seção Ceará, estará realizando seu XXI Encontro Estadual de Política e Administração da Educação, nos dias 17 e 18 de novembro de 2011, no Auditório do Passaré, BNB, já se constituindo, este evento, uma tradição dessa entidade no Ceará. O evento marcará os trinta anos de criação da ANPAE - Seção Ceará.

Importância do tema

A temática escolhida será “Educação Emocional: A Complementaridade entre a Razão e Afetividade”, desdobrado em vários subtemas com abordagens diversificadas, procurando abranger os interesses dos participantes, constituídos de pesquisadores, professores, técnicos, planejadores, e, principalmente, gestores da educação. Haverá espaço para a divulgação de experiências exitosas que têm contribuído para o sucesso da escola. Estão sendo convidadas autoridades relacionadas à temática, pesquisadores brasileiros e de outros países que deverão expor as novas políticas e trabalhos em que os desafios recorrentes e emergentes da educação brasileira possam ser apresentados e debatidos entre os vários protagonistas o conferencista convidado, Casassus, menciona os resultados de uma ampla investigação realizada em 1994 sobre os fatores que incidem na aprendizagem e que demonstrou que a variável que mais explicava as diferenças na aprendizagem era o clima emocional na classe, resultado, por sua vez, das relações dos estudantes entre si e com os professores e coloca algo sobre a ajuda que os pais podem dar aos filhos, e que recentemente foi demonstrado: “Nada importa mais para o desenvolvimento das crianças do que os professores tomarem consciência de si mesmos”.

Finalmente, Casassus destaca que as necessidades de aprendizagem, não são as únicas necessidades que os alunos têm nas escolas, pois precisam também “ser reconhecidos na sua legitimidade, querem ser escutados, necessitam ser respeitados, necessitam pertencer a uma comunidade de pares, necessitam brincar, necessitam autonomia, concluindo que a insatisfação das necessidades básicas dos educandos é fonte de violência. Necessita-se da transformação da sociedade e a superação de uma crise que nos ameaça com um naufrágio universal. E, não poderemos chegar à plenitude que a natureza para nós reservou enquanto a razão não atingir a sabedoria de reconhecer suas limitações.

Estratégias Metodológicas

A temática - “Educação Emocional: A Complementaridade entre a Razão e Afetividade” terá diversos formatos, tais como: duas conferências, um painel, quatro palestras, um workshop, a apresentação de relatos de experiência e uma
mesa redonda.

Benefícios disponíveis aos participantes

1. Material impresso do XXI Encontro;
2. Publicação do livro de Juan Casassus Fundamentos da Educação Emocional,
UNESCO Brasília Líber Editora Livro tradução, 2009;
3. Certificado de participação;
4. Dois almoços;
5. Quatro cafezinhos.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Juventudes e Cultura de Paz: diálogos de esperança


Pensar e sentir, ações indissociáveis: educando sentimentos e emoções
Kelma Socorro Lopes de Matos


Temos observado que o enfrentamento de conflitos nas nossas escolas, não tem sido resolvido com punições, presença da polícia, detectores de metais. O diálogo com alunos e a comunidade apresenta-se como a forma mais efetiva de construir a paz no espaço escolar. As experiências positivas com jovens e escolas devem ser mais divulgadas. É importante apresentar à sociedade imagens positivas das juventudes. Os conteúdos curriculares também nos ajudam a resolver o fervilhar das questões cotidianas escolares. Muitas vezes, esses conflitos demandam a consideração das dimensões ética e afetiva.
Nesta perspectiva, consideramos, por um lado, que os sentimentos, as emoções e os valores devem ser encarados como objetos de conhecimento, posto que tomar consciência, expressar e controlar os próprios sentimentos talvez seja um dos aspectos mais difíceis na resolução de conflitos. Por outro lado, a educação da afetividade pode levar às pessoas a se conhecerem e a compreenderem melhor suas próprias emoções e as das pessoas com quem interagem no dia a dia. Grosso modo, tratar-se-á de desenvolver uma postura analítica perante sentimentos e valores. (ARANTES, 2007, p.11).
Yus (2002) salienta como perspectiva irmos além dos conteúdos tradicionais, e resmos educadores de espírito, ajudando os alunos a encontrarem conexões/significados em suas vidas. Assim, faz algumas indicações:
a) garantir clima caloroso, acolhedor e atento que propicie a conectividae;
b) estimular o entusiasmo, a inovação;
c) favorecer no cotidiano a construção da 'escola com alma', que é o ambiente em que o amor predomina mais que o medo;
d) reconhecer a importância do não-verbal;
e) ter atenção ao ambiente estético da escola e sala de aula;
f) compartilhar histórias sobre a escola;
g0 fazer comemorações e rituais cotidianos;
h) agir com verdade e autenticidade.
A educação da afetividade estimula as pessoas a conhecerem suas emoções e a dos outros, com quem interagem no dia a dia. o aprendizado de estabelecer conexões consigo e com os demais, faz com que o educador transforme-se num guia para os jovens alunos. Passa-se, então, a ser uma pessoa seminal, ou seja, funciona como semente que alimenta o mergulho em si mesmo, o que faz com que se sinta parte do todo (BOFF, 2006).
O mesmo conflito pode receber tratamentos diferentes dependendo do estado emocional de quem o enfrenta. São opções que fazemos entre acolher ou expulsar o diferente. O trabalho com conteúdos de natureza afetiva, podem ser aprendidas e cultivadas, como se aprende os conteúdos tradicionais. Dessa forma, a educação prepara melhor os jovens para a vida cotidiana, inclusive na própria escola.
É possível juntar "mente e corpo", valorizando o Ser completo. "Integrar o que amamos com o que pensamos é trabalhar, de uma só vez, razão e sentimentos; supões elevar estes últimos à categoria de objetos de conhecimento, dando-lhes existência cognitiva, ampliando assim seu campo de ação." (MORENO, 1998). Que possamos, então dialogar mais sobre a esperança, apostando na potencialidade e integralidade das juventudes.
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Observação: O texto acima é a parte conclusiva do artigo Juventudes e Cultura de Paz: diálogos de esperança, de Kelma Socorro Lopes de Matos (Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFC). O conteúdo do fragmento transcrito interliga-se à ideia matriz do Projeto Professor de Turma: favorecer o estreitamento das relações escolares através do conhecimento do outro.
Kelly Medeiros